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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

É como escalar uma montanha

 

“É como escalar uma montanha. Cada passo em direção ao alto permite-nos enxergar mais, e essa visão não nega as coisas que ficaram embaixo — ela as inclui —, mas se torna maior a cada etapa da subida, a cada estágio do esforço. Quanto mais enxergamos, mais abrangente nossa visão, mais saberemos o que fazer, qual ação encetar.”

Charlote Joko Beck — Sempre Zen



segunda-feira, 25 de maio de 2015

A parábola de Mushin

(Trecho do livro “Sempre Zen”, de Charlotte Joko Beck)

Há muito tempo, numa cidade chamada Esperança, vivia um rapaz chamado Joe. Ele estava muito dedicado ao estudo do dharma e, por isso, tinha um nome budista: Mushin.

Sua vida era igual à de todo mundo. Ia para o trabalho e tinha uma boa esposa; mas, apesar de seu interesse pelo dharma, era machão, sabido, amargo. Aliás, era tanto desse jeito que um dia, depois de ter criado toda espécie de confusão no trabalho, seu patrão lhe disse: “Basta, Joe. Você está despedido!”. Assim Joe saiu. Desempregado. Quando chegou em casa, encontrou uma carta da esposa na qual dizia: “Para mim chega, Joe. Fui embora.” Foi desta maneira que ele ficou com o apartamento, consigo mesmo, e nada mais.

Mushin
Mas Joe, Mushin, não era alguém que desistia com facilidade. Jurou que embora não tivesse emprego nem esposa iria conseguir aquilo que realmente importava: a iluminação. Foi até a livraria mais próxima. Procurou nas edições mais atualizadas como chegar à iluminação. Encontrou um livro que lhe chamou a atenção em particular. Chamava-se “How to catch the train of enlightenment” (Como pegar o trem da iluminação). Comprou-o e começou a lê-lo com muito cuidado. Depois de tê-lo estudado até o fim, foi para casa e abriu mão do apartamento, colocou todos os seus pertences seculares numa mochila e dirigiu-se à estação ferroviária nos limites da cidade. O livro dizia que se a pessoa seguisse todas as instruções — faça isso, faço aquilo — o trem chegaria e ela conseguiria pegá-lo. Ele pensou: “Fantástico!”.