quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

A verdadeira veneração ao Tathagata

Então o Bem-Aventurado [em seu leito de morte] disse ao Venerável Ananda: 

"Ananda, as árvores-do-sal gêmeas estão completamente florescendo, embora não seja a estação das flores. Elas chuviscam, espalham e borrifam sobre o corpo do Tathagata como uma homenagem a ele. Flores de coral celestiais estão caindo do céu... Pó celestial de sândalo está caindo do céu... Música celestial está tocando no céu... Canções celestiais estão sendo cantadas no céu, em homenagem ao Tathagata. Mas não é até esse ponto que um Tathagata é venerado, honrado, respeitado, reverenciado ou homenageado. Ao contrário, o monge, a monja, o seguidor leigo ou a seguidora leiga que continua praticando o Darma de acordo com o Darma, que continua praticando habilidosamente, que vive de acordo com o Darma: essa é a pessoa que venera, honra, respeita, reverencia e presta a maior homenagem ao Tathagata. Portanto, vocês devem treinar-se: 'Nós continuaremos praticando o Darma de acordo com o Darma, continuaremos praticando habilidosamente, viveremos de acordo com o Darma.' É assim que vocês devem se treinar."

 - Mahāparinibbāna Sutta: Grande Discurso sobre o Total Desapego

Mahaparinirvana

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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Tarde de Zazen

(Homenagem ao nascimento de Mestre Dōgen, fundador de nossa ordem)
Domingo, 26/01

O Seirenji convida os praticantes a participarem de uma tarde especial neste domingo. Será uma oportunidade para uma prática meditativa mais prolongada, com duas sessões de zazen intercaladas por kinhin (meditação andando) e uma leitura mais aprofundada sobre Zazen.

Quem puder, por favor, traga algum alimento para compartilharmos durante a hora do chá. A chegada deve ocorrer até, no máximo, às 14h45 (primeiro toque do Han). Aqueles que nunca praticaram kinhin ou zazen, ou que precisem relembrar alguma postura ou procedimento, devem chegar às 14h. Lembre-se de vestir roupas leves e de cores sóbrias.

14h00 - Abertura dos portões
15h00 - Zazen (meditação sentada)
15h40 - Kinhin (meditação andando)
16h00 - Zazen
16h40 - Kinhin
17h00 - Leitura do Fukan-Zazengi de Mestre Dōgen + Recitação do Sutra do Coração (Maka Hannya Haramitta Shingyo)
17h30 - Chá
18h30 - Encerramento.

Gasshō 


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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa
(Versão Longa)

 ༄༅། །འཕགས་པ་ཤེས་རབ་ཀྱི་ཕ་རོལ་ཏུ་ཕྱིན་པའྱི་སྱིང་པོ་བཞུགས་སོ།།

O Sutra Coração da Perfeição da Sabedoria Completa

    Prostração à Perfeição da Sabedoria Completa, a Mãe Abençoada!

    Assim ouvi em certa ocasião: O Bhagawan estava residindo no Pico do Abutre, em Rājagṛha, junto com uma grande comunidade de Bhikshus e uma grande sangha de Bodhisattvas.
    Naquela ocasião, o Bhagawan estava em uma absorção sobre as categorias dos fenômenos chamada iluminação do profundo.
    Ao mesmo tempo, o Bodhisattva Mahasattva, Arya Avalokiteshvara, enquanto praticava a profunda Perfeição da Sabedoria Completa, olhou e viu que os cinco agregados também estão vazios de uma natureza intrínseca .
    Então, pelo poder da influência de Buda,  o Venerável Shariputra perguntou ao Bodhisattva Mahasattva Arya Avalokiteshvara: 

— Como devem treinar os filhos ou filhas da linhagem se desejam praticar a profunda perfeição da sabedoria completa?

O Bodhisattva Mahasattva, Arya Avalokiteshvara, respondeu ao venerável Shariputra: 

— Oh Shariputra, os filhos ou filhas da linhagem que desejam se engajar na prática da profunda perfeição da sabedoria completa devem ver as coisas desta forma: devem observar corretamente os cinco agregados como sendo vazios de uma natureza intrínseca. Forma é vazio. Vazio é forma. Vacuidade não é diferente da forma, forma também não é diferente da vacuidade. Da mesma maneira, o sensação, a percepção, a formação e a consciência são vazios.
    Assim, Shariputra, todos os fenômenos são vazios; sem características, não-nascido, incessante, sem manchas, sem separação de manchas, não há retração, nem expansão.
    Shariputra, portanto, no vazio não há forma, nem sensação, nem percepção, nem formações mentais, nem consciência. Não há olho, nem ouvido, nem nariz, nem língua, nem corpo, nem mente, nem forma, nem som, nem cheiro, nem sabor, nem textura, nem objeto mental.
    Não há elementos visuais, nem elementos mentais, ou quaisquer dos elementos da consciência mental.
    Não há ignorância, nem fim da ignorância, não há envelhecimento e morte, nem cessação do envelhecimento e da morte. Assim, não existem: Sofrimento, nem Origem do Sofrimento, nem Cessação do Sofrimento, nem Caminho. Não há sabedoria, nem sua realização, nem a sua não-realização.
    Oh Shariputra, portanto, como os Bodhisattvas não têm nada a atingir, eles repousam e residem na Perfeição da Sabedoria Completa. Como suas mentes estão livres de véus, não têm medo. Tendo superado completamente os enganos, alcançam o culminar do Nirvana.
    Todos os Budas que residem nos três tempos também despertaram completamente para a iluminação insuperável e perfeita, confiando na Perfeição da Sabedoria Completa.
   Agora, quanto ao mantra da Perfeição da Sabedoria Completa, o mantra da grande sabedoria, o mantra insuperável, o mantra que se iguala ao inigualável, o mantra que pacifica completamente todos os sofrimentos. Como não é falso, deve ser reconhecido como verdadeiro. O mantra da Perfeição da Sabedoria Completa é declarado assim:

TADYATHĀ [OM] GATE GATE PĀRAGATE PĀRASAṂGATE BODHI SVĀHĀ

    Shariputra, os Bodhisattvas e os Mahasattvas devem praticar a profunda Perfeição da Sabedoria Completa desta maneira.

    Então o Bhagawan despertou daquela absorção e deu sua aprovação ao Bodhisattva Mahasattva Arya Avalokiteśvara, dizendo:

— Excelente! Excelente! Filho da linhagem, é assim. Filho da linhagem, é assim como revelaste. A profunda Perfeição da Sabedoria Completa deve ser praticada exatamente como você ensinou, e todos os Tathagatas se regozijarão.

    Quando o Bhagawan disse isso, o venerável Shariputra, o Bodhisattva Mahasattva Arya Avalokiteshvara, e toda a assembleia, assim como o mundo com seus Devas, humanos, Asuras e Gandharvas e outros seres mundanos se regozijaram e louvaram o que o Bhagawan dissera. 

Avalokiteshvara, Bodhisattva Mahasattva da Compaixão

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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.


 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Como se portar no zendō

        Nos mosteiros tradicionais há um edifício chamado Sala dos Monges (sodō) no qual os praticantes dormem, comem e praticam zazen juntos. No sodō há uma plataforma chamada tan que tem mais ou menos 60cm de altura. Cada pessoa tem um tatame de espaço para comer, dormir e sentar. 

    Quando a sala é usada exclusivamente para meditação sentada (zazen), que é o caso do nosso templo Seirenji,  dá-se o nome zendō (Sala de Meditação). Nesse sentido é diferente do sodō, mas ainda se observam as mesmas regras de comportamento. Não temos tatames nem plataformas (tan). Cada zafu (almofada de sentar) encontra-se em cima de um zabuton (colchonete de sentar).

    Manjushri Bodisatva, o símbolo da personificação da sabedoria, fica em um altar no centro da sala. Você notará que em nosso altar também encontra-se a imagem de Shakiamuni Buda, pois este mesmo espaço é utilizado também como hatto, o Salão de Cerimonias. 

Zendō do Seiren-ji

Entrando no zendō

    Coloque as mãos em shashu e dê um passo a frente com o pé esquerdo, do lado esquerdo da entrada. Ao sair do zendō, dê um passo com o pé direito do mesmo lado usado para entrar. Somente o Abade do mosteiro pode entrar na sala pelo meio da entrada. Ao entrar e ao sair faz-se uma pequena reverencia em shashu.

    Em sinal de respeito, você não deve passar em frente ao altar. Ao invés disso, você deve passar por trás dele. Ao andar, mantenha as mãos sempre em shashu.

Lembre-se de pegar o livro de sutras e deixa-lo no seu zabuton do lado esquerdo.

Chegando ao seu lugar

    Chegando ao seu lugar, fique diante dele e faça uma reverência em gassho. Essa reverencia é feita tanto para o seu local de meditação quanto para as pessoas que farão zazen com você nos assentos ao lado do seu. Isso chama-se rin'i monjin (Saudação ao vizinho). As pessoas que sentam ao seu lado também ficam em gasho durante sua reverencia. Vire-se em sentido horário até que seu assento esteja atrás de você, faça uma reverência em gassho para as pessoas que vão sentar do lado oposto da sala. Este cumprimento para essas pessoas chama-se taiza-monjin (Saudação àqueles sentados em frente). E também é simbolicamente para todos aqueles que meditarão neste momento no mundo inteiro.


    Gire seu zafu e sente-se. A etiqueta do zafu deve sempre estar nas suas costas. Com a ajuda das mãos gire junto com seu zafu até ficar de frente para a parede. Nunca manipule o zafu ou o zabuton com seus pés. Reverentemente sempre use as mãos. Evite ficar em pé sobre o zabuton. Todos os giros são feitos no sentido horário.

Sinais sonoros

    O han (tábua de madeira) será tocado três vezes. No primeiro toque silenciamos as conversas e outras atividades e as luzes são apagadas. É um bom momento de ir ao banheiro ou beber água. O segundo toque do han pode-se começar a entrar no zendō e se preparar para a meditação. Ao terceiro toque do han todos já devem estar em seus lugares de meditação.

    O sino (keiso) toca para sinalizar o início e o fim do período de zazen. Quando o zazen começa, o sino toca três vezes (shijosho). Assim que o terceiro toque soa faz-se uma reverencia em gasho. Quando termina o zazen, o sino toca uma vez (hozensho) e também faz-se uma reverencia em gasho.

Terminando o zazen

    Quando o sino toca uma vez para sinalizar o final do zazen, relaxe seu corpo com movimentos vagarosos. Destravando as pernas e balançando o corpo de um lado para o outro como pêndulo. Normalmente ao final de um zazen temos leitura e recitação de sutra. Neste caso, gire o zafu e fique virado para dentro da sala. Na hora da leitura e recitação lembre-se de manter uma posição reverente e atenta.

    Caso precise sair do seu local de meditação, fique de frente para seu assento e ajuste o formato do seu zafu. Então, faça uma reverência para o seu assento. Virando pela direita, faça uma reverência para as pessoas do lado oposto da sala, como você fez antes de sentar.
    Ao final da cerimonia, todos levantam-se, ajustam seus zafus fazem uma reverencia para o acento, giram para dentro da sala e permanecem em gasho (sem fazer reverencia). Espera-se que todos estejam em gasho e juntos fazemos reverencia tendo como referencia a pessoa que esteja presidindo a atividade.

O livro de sutras

    O livro de sutra é um objeto de reverencia. Não podemos manipula-lo de qualquer maneira. Sempre o segure com as duas mãos, nunca deixe ele aberto sobre as pernas ou sobre o zabuton. Se possível, sempre leve-o à testa antes de abri-lo e após fecha-lo. Caso não esteja utilizando o livro mantenha-se em gasho durante as recitações.

Posição das mãos

Gassho: Mantenha as palmas e os dedos de ambas as mãos juntos. Seus braços devem ficar ligeiramente afastados do peito, seus cotovelos devem apontar para fora, formando uma linha reta com seus braços, paralela ao chão. As pontas dos dedos médios devem ficar alinhados com a ponta do nariz. Essa é uma expressão de respeito, fé e devoção. Porque as duas mãos (dualidade) estão unidas, o gassho exprime "Mente Una". 

Shashu: Dobre o polegar da mão esquerda para dentro da palma e feche os dedos da mão à volta dele. Posicione a mão em frente ao peito. Cubra a mão esquerda com a mão direita, lembre-se de deixar os dedos unidos (exceto o dedão que fica pousado acima da mão direita). Mantenha os cotovelos longe do corpo formando uma linha reta com os braços.
Shashu


Gasho
Assim seguram-se os objetos como baquetas,
o martelo do han e o livro de sutras.

Ao errar

    Ao errar, conserte-se e continue naturalmente sua prática;
    Evite reparar nos erros de outros praticantes, concentre-se em sua prática;
    Não corrija outros praticantes, exceto quando for solicitado ou seja sua função no momento;
    Caso encontre algo fora do lugar, ajeite sem resmungar ou lamentar;
    Caso seja corrigido por alguém, não reclame nem se justifique. Apenas corrija e continue sua prática.

Arrumamos os chinelos,
Arrumamos o coração.

Arrumamos o coração,
Arrumamos os chinelos.

Ao descalçar, arrumamos;
Assim, ao calçar, o coração se harmoniza.

Se alguém deixá-los desarrumados,
Sem reclamar arrumamos.

Arrumamos aquilo que está desarrumado,
Arrumamos o coração de todos neste mundo.

Estetexto é uma adaptação para o contexto especifico do Seirenji e encontra-se originalmente e na integra em: O zendo e o sodo — sotozen.com

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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.






quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Não pratiquem sozinhos

"Eihei Dōgen, o fundador de nossa linhagem, nos advertiu contra viver sozinhos, para que as pessoas não se desviassem para caminhos falsos. Seu sucessor, Koun Ejō, disse: “Meus discípulos, não vivam sozinhos. Mesmo que tenham realizado a VERDADE, devem treinar no mosteiro; quanto mais aqueles que ainda são estudantes da prática não devem viver sozinhos."

Keizan Senji Sama - Denkōroku 

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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.


"Encarar, compartilhar,
amparar-se mutuamente"


sábado, 4 de janeiro de 2025

Pratiquem!

 

"Como as pessoas de hoje, especialmente à medida que envelhecem, tornam-se desanimadas ou negligentes, vocês devem se identificar com aqueles antigos veneráveis e sábios de tempos passados e não ver o frio do inverno como "Como está frio!" ou o calor do verão como "Como está quente!"; não se preocupem se sua vida será repentinamente interrompida ou se vocês têm condições mentais de continuar. Se fizerem seu treinamento dessa forma e o fizerem bem, então serão realmente aqueles que treinam, aqueles que praticam o Caminho. Se houver verdadeiro treinamento e prática do Caminho, quem de vocês não será um Buda e um Ancestral?"

 

Keizan Jōkin Zenji — Denkōroku

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Nossas Atividades:

Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.

 


 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

As Virtudes dos Bodhisattvas

    Intenção dotada de desejo constitui um querer. Ajudar os outros motivados pelo desejo. Deixar-se levar por intenções nocivas implica que se deseja prejudicar outros. Enfado é [sinal de] uma mente instável, desejar união carnal é fruto de uma mente maculada; apatia consiste em um corpo sem vigor, fruto de lassidão. Adoecer é a influência, no corpo e na cor, das aflições; não querer alimento explica-se como desconforto que advém do fartar-se.
    Uma mente muito fraca, ensina-se que [resulta] de timidez e medo. Ansiar por desejos é almejar e buscar sempre os cinco atributos. Intenções nocivas para com outros surgem de nove causas: ter receios injustificados acerca de si mesmo, de amigos e de inimigos no passado, presente e futuro. Preguiça e não-atividade devida a corpo e mente pesados; dormir e estar inativo; excitação e falta de paz física e mental.
    Contrição é arrependimento pelas más ações e surge após o remorso; dúvida é ter duas concepções acerca das (quatro) verdades, das Três Jóias e assim por diante. Os bodhisattvas [chefes de família] abandonam tudo isso; os que observam os votos [de monge] abandonam muito mais. Uma vez livre desses defeitos, as virtudes são facilmente observadas.
    Em síntese, as virtudes observadas pelos bodhisattvas são: dar, ética, paciência, esforço, concentração, sabedoria, compaixão, etc. Dar é desprender-se completamente da própria riqueza; ética é ajudar os outros; paciência é abandonar a ira; esforço é comprazer-se nas virtudes. Concentração é a unidirecionalidade imperturbável, sabedoria é certeza sobre o significado das verdades; compaixão é uma mente que só se regozija na clemência e amor por todos os seres sencientes.
    Do dar resulta a riqueza, da ética, felicidade; da paciência, um bom semblante; do [esforço na] virtude, esplendor; da concentração, paz; da sabedoria, liberação; da compaixão, a consumação de todos os propósitos. Pela perfeição simultânea dessas sete [virtudes], atinge-se a esfera de sabedoria inconcebível, o protetorado do mundo.

(A Grinalda Preciosa - Nagarjuna)

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Próxima Atividade:
Quinta dia 02 de janeiro às 19h: Zazen, leituras e chá.

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.

* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.




Encontros de setembro a dezembro

Retomamos as atividades no templo com muita alegria e dedicação! Aqui estão as fotos de setembro, outubro, novembro e dezembro – registrando os momentos em que lembramos de fotografar. Que possamos seguir juntos, fortalecendo nossa prática e conexão.








 




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

É como escalar uma montanha

 

“É como escalar uma montanha. Cada passo em direção ao alto permite-nos enxergar mais, e essa visão não nega as coisas que ficaram embaixo — ela as inclui —, mas se torna maior a cada etapa da subida, a cada estágio do esforço. Quanto mais enxergamos, mais abrangente nossa visão, mais saberemos o que fazer, qual ação encetar.”

Charlote Joko Beck — Sempre Zen



sábado, 21 de dezembro de 2024

O Mokugyo

木魚 Mokugyo


    O 木魚 mokugyo (literalmente, Peixe de Madeira) é um tipo de bloco de percussão originário da China, utilizado como instrumento musical por monges e leigos na tradição Mahayana do Budismo. Eles são empregados em cerimônias budistas na China, Coreia, Japão, Vietnã e outros países asiáticos. O mokugyo é frequentemente usado em rituais que envolvem a recitação de sutras, mantras ou outros textos budistas servindo para manter o ritmo durante os cantos e recitações. 
    O instrumento é esculpido com escamas de peixe na parte superior e apresenta uma gravura de duas cabeças de peixe envolvendo uma pérola no cabo (para simbolizar a unidade). Por isso, o instrumento é chamado de peixe de madeira. No budismo, o peixe, que nunca dorme, simboliza o estado de vigília, servindo para lembrar os monges que recitam sutras a manterem a concentração. O som produzido pelo instrumento simboliza a atenção desperta.
    Estão disponíveis em diversos tamanhos e formas, variando de 15 centímetros para uso leigo ou prática diária individual, até 1,2 metros para uso em templos. Algumas versões enormes encontradas em templos budistas japoneses chegam a pesar mais de 300Kg. Em templos chineses, eles são frequentemente colocados à esquerda do altar, ao lado de uma tigela sino (keisu), seu equivalente metálico de percussão. O peixe de madeira geralmente repousa sobre uma pequena almofada bordada para evitar sons indesejados de batida ao contato com superfícies duras, além de prevenir danos ao instrumento.

Origem mítica

    Existem muitas histórias associadas à criação do mokugyo. Segundo uma lenda budista, um monge foi à Índia buscar sutras, mas no caminho encontrou um rio largo e inundado que bloqueava sua passagem. Um peixe ofereceu-se para carregar o monge até o outro lado, pois desejava expiar um crime cometido em uma vida anterior, quando ainda era humano. O pedido simples do peixe era que, ao chegar ao seu destino, o monge solicitasse ao Buda um método para que o peixe pudesse atingir o estado de bodhisattva. O monge aceitou o pedido do peixe e continuou sua jornada. Após 17 anos, quando retornava à China com os sutras, o monge reencontrou o mesmo rio inundado. O peixe apareceu novamente e perguntou ao monge se ele havia feito o pedido ao Buda. O monge, porém, confessou que havia esquecido.
    Furioso, o peixe o derrubou na água com um forte golpe de cauda. Um pescador que passava salvou o monge de se afogar, mas todos os sutras haviam sido perdidos no rio. Tomado pela raiva, o monge esculpiu uma efígie de cabeça de peixe em madeira e começou a batê-la com um martelo, como uma forma de punição simbólica. Para sua surpresa, a cada golpe, o peixe de madeira emitia sons que correspondiam a caracteres chineses. Feliz com o ocorrido, o monge continuou a bater regularmente no peixe de madeira. Após alguns anos, o monge conseguiu recuperar todos os sutras perdidos na enchente, que saíram da boca do peixe de madeira.






Mestre Tokuda recitando o Maka Hannya Shingyo
utilizando um mokugyo

Shodo Harada Roshi explica: O mokugyo deve ser tocado como um trem, lentamente, mas constantemente aumentando a velocidade para reunir mais e mais energia. O final do sutra é tocado de uma forma como se o trem entrasse em uma estação, diminuindo a velocidade e parando.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Boas amizades são metade do caminho?

Upaddha Sutta: Metade (da vida santa)

Figura de bronze de Ananda.
China, dinastia Ming.
Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava vivendo entre os Sakyas*. Agora, há uma cidade dos Sakyas chamada Sakkara. Lá, o Venerável Ananda foi até o Abençoado e, ao chegar, tendo se inclinado diante do Abençoado, sentou-se a um lado. Enquanto estava sentado, o Venerável Ananda disse ao Abençoado: 

— Isto é metade da vida santa, senhor: amizade nobre, boa companhia, relações virtuosas.

— Não diga isso, Ananda. Não diga isso. Amizade nobre, boa companhia, relações virtuosas são, na verdade, o todo da vida santa. Quando um monge tem pessoas virtuosas como amigos, companheiros e associados, pode-se esperar que ele desenvolva e siga o nobre caminho óctuplo.


*Os Sakyas eram um clã da região de Kapilavastu, localizado ao norte da atual Índia e no sul do Nepal. Esse clã é particularmente significativo na história do budismo, pois o Buda histórico, Siddhartha Gautama, nasceu em uma família Sakya. Ele é frequentemente referido como "Sakyamuni", que significa "Sábio dos Sakyas".

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

As Armadilhas do Apego e da Hipocrisia

Leitura de 17 de Dezembro - Noite

Os Feitos do Bodhisativa

Hipocrisia é controlar os sentidos com vistas a bens e respeito; bajulação é proferir palavras agradáveis com vistas a bens e respeito. Aquisição indireta é elogiar a riqueza de outros para obtê-la; aquisição astuta é zombar de outros a fim de adquirir-lhes os bens. Desejar acrescentar lucro a lucro é exaltar aquisições anteriores.

Falar das faltas alheias é repetir os erros cometidos por outros.

Perder a compostura é excitação egoísta que é desconsideração pelos outros; Obstinação é o apego dos indolentes às suas más posses.

Fazer diferenças é discriminação obscurecida pelo desejo, ódio ou confusão; não olhar para dentro da mente considera-se como não aplicá-la a coisa alguma.

Aquele que por indolência perde o respeito e a reverência pelos que realizam práticas que são semelhantes, é um guia espiritual que não segue os passos do Bem-aventurado; esse é considerado nocivo.

Apego é um pequeno obstáculo que surge do desejo; quando forte, constitui grande obstáculo que surge do desejo. Apego é uma atitude de aferrar-se aos próprios bens; apego exorbitante é aferrar-se aos bens dos outros.

Luxúria ímpia é a exaltação libidinosa de mulheres, que [de fato] devem abandonar-se.

Hipocrisia é alguém [fingir] que possui qualidades de que carece enquanto almeja não-virtudes.

Desejo intenso é extrema cobiça que ultrapassa a ventura de conhecer satisfação; avidez por ganho é querer ser conhecido sempre como dotado de qualidades superiores.

Impaciência é inabilidade para suportar ofensa e sofrimento; impropriedade é não respeitar as atividades de um guia espiritual ou mestre.

Não prestar atenção aos conselhos é desconsiderar a recomendação daqueles de prática similar.

Intenção de reunir-se com parentes é apego afetuoso à própria família.

Fixação por objetos é enumerar suas qualidades a fim de adquiri-los.

Imaginar a imortalidade é não sentir preocupação pela morte.

(A Grinalda Preciosa - Nagarjuna)





sábado, 14 de dezembro de 2024

As sete formas de orgulho

Leitura de 10 de Dezembro - Noite

Os Feitos do Bodhisativa

   Tendo vos tornado um monge, devereis treinar-vos primeiro com firmeza [em ética]; depois, dedicar-vos à disciplina da emancipação individual escutando [a recitação das escrituras] vez após vez e verificando seu significado. Então, conhecendo as faltas menores, abandonai as fontes a ser abandonadas; com determinação, podereis tomar consciência plena das cinquenta e sete faltas.

   A ira é uma perturbação da mente, a hostilidade a perturba mais ainda; dissimulação é um ocultar de faltas; ressentimento, um apego a caminhos faltosos. Desonestidade é impostura extrema; fingimento, tortuosidade da mente; inveja é sofrer pelas boas qualidades de outros; avareza é o temor de dar. Ser insolente e desavergonhado expressa insensibilidade para consigo e os outros; presunção conduz à falta de respeito; esforço perverso é contaminação que advém da ira. Arrogância é acreditar-se superior; não-consciência é negligenciar as virtudes; o orgulho tem sete formas, cada uma das quais vos explanarei:

   Vangloriar-se de ser o mais humilde entre os humildes, ou igual ao igual, ou maior do que, ou igual ao humilde, chama-se orgulho da personalidade;

   Vangloriar-se de ser igual àqueles que por alguma qualidade são melhores, é orgulho de superioridade;

  Pensar que se é mais elevado que os extremamente elevados, que acreditam ser superiores, é orgulho maior que o orgulho - como um abcesso num tumor, isso é muito maligno;

   Conceber um "eu" devido à ignorância dos cinco vazios [agregados], que são chamados de apropriação, diz-se que é o orgulho de pensar "eu".

   Acreditar que já foram obtidos frutos ainda não alcançados é o orgulho da presunção.

   Gabar-se de atos indignos é conhecido pelo sábio como falso orgulho.

   Menosprezar a si mesmo, pensando "eu sou insensato", é chamado o orgulho da modéstia

   Estes são, em suma, os sete orgulhos.

(A Grinalda Preciosa - Nagarjuna)

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Nossas Atividades
Terças às 19h: Zazen, leituras e chá. 

* Aqueles que vêm pela primeira vez precisam receber a orientação de postura. Para isso, é preciso chegar por volta das 18h.
* Para qualquer atividade, chegar com, ao menos, 15 minutos de antecedência.






quinta-feira, 22 de abril de 2021

Zazen e Leituras

O Mosteiro Eishō-ji, matriz da Sangha Maha Muni do Brasil (a qual o Centro Zen do Recife faz parte), está com atividades online para quem deseja praticar zazen.

 Para participar, os interessados precisam, primeiramente, entrar em contato pelo e-mail: mosteiro.eishoji@gmail.com, para receber as devidas orientações iniciais.


 

segunda-feira, 16 de março de 2020

ATENÇÃO - Suspensão de Atividades

Devido às recentes orientações das autoridades oficiais de saúde, no intuito de conter a proliferação do coronavírus e levando em consideração que vários praticantes utilizam meios públicos de transporte, o Centro Zen do Recife avaliou suspender suas atividades por um período de 15 dias, inicialmente.
 Estamos programando nosso retorno para o dia 06 de abril de 2020. Sugerimos a todos que invistam em ações que visem manter uma boa imunidade a fim de conseguir alguma proteção além de diminuir a curva de propagação do vírus neste momento tão delicado que nos acomete. Fortaleçam suas práticas de zazen e estudos do Dharma em casa.
 IMPORTANTE: façam suas práticas de zazen naqueles horários em que iriam ao centro praticar!!