segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ATENÇÃO

O Centro Zen do Recife informa que excepcionalmente nesta semana de 14 a 18 de outubro NÃO HAVERÁ zazen noturno. 
O Centro Zen estará prestigiando e integrando o Seminário Sobre a Morte segundo a visão Cristã, Budista, Filosófica e Islã, que será realizado no Centro Cultural George Stobbaerts localizado na Rua Padre Anchieta, 571, Madalena, Recife.
Aproveitamos e convidamos  todos interessados em participar deste encontro gratuito!



terça-feira, 8 de outubro de 2019

As Ervas Daninhas da Mente





"Você deve ser grato às ervas daninhas que crescem
em sua mente, porque elas afinal vão enriquecer sua prática."

Não creio que lhe agrade quando o despertador toca pela
manhã cedinho e você tem que se levantar. Não é fácil sair da
cama e ir se sentar para meditar. E mesmo depois de chegar ao
zendô e começar o zazen, você tem que encorajar a si próprio para se sentar corretamente.
 Isto são apenas ondas da sua mente.
 Ho zazen puro não deve haver nenhuma onda em sua mente.
Contudo, à medida que você permanece sentado, essas ondas
se tornam cada vez menores e seu esforço se transforma em
sentimento sutil.
Costuma-se dizer que "arrancando as ervas daninhas alimen-
tamos as plantas". Nós arrancamos as ervas daninhas e as enter-
ramos junto às plantas para nutri-las. Portanto, mesmo que você
tenha dificuldade em sua prática, mesmo que haja algumas ondas enquanto está sentado, essas mesmas ondas servirão para
ajudá-lo. Assim, não deve aborrecer-se por causa de sua mente.
Ao contrário, fique grato às ervas daninhas porque elas vão, afi-
nal, enriquecer sua prática. Se você tiver alguma experiência de
como as ervas daninhas se transformam em alimento mental,
sua prática fará progressos notáveis. Você vai sentir o progresso.
Sentirá como é que elas se transformam em auto-alimentação.
Claro que não é difícil fazer interpretações filosóficas ou psico-
lógicas acerca de nossa prática, mas isso não basta.
 O que precisamos é ter a experiência prática de como as nossas ervas
 daninhas se transformam em alimento.
A rigor, nenhum esforço que façamos beneficia nossa prática, 
porque ele cria ondas em nossa mente. 
Contudo, é impossível obter completa serenidade mental 
sem algum tipo de esforço. 
Temos que nos esforçar, mas temos que nos esquecer de nós
mesmos no esforço que fazemos. 
Nesse âmbito não existe objetividade nem subjetividade. 
Nossa mente está simplesmente
ca,ma, sem mesmo termos consciência disso. Nessa ausência de
consciência, qualquer esforço, ideia ou pensamento se dissipa.
Portanto, é necessário encorajar a nós mesmos e esforçar-nos até
o último momento, quando todo esforço desaparece. Você deve
pôr sua mente na respiração até deixar de estar consciente da própria respiração.
Devemos persistir em nosso esforço sempre, mas nem por
isso almejar atingir algum estágio onde nos esqueçamos dele.
Devemos apenas tentar manter nossa mente na respiração. Essa
é a nossa verdadeira prática. A medida que você praticar, esse
esforço se tornará mais e mais refinado. No início, o esforço
resultará um tanto grosseiro e impuro mas, pelo poder da prática,
tornar-se-á cada vez mais puro. Quando seu esforço se torna
puro, seu corpo e sua mente se tornam puros. É essa a forma
como praticamos o Zen. Uma vez que você compreender o po-
der inato que temos de purificar a nós mesmos e aquilo que nos
circunda, você poderá agir apropriadamente, aprenderá com to-
dos os que o rodeiam e será amável com os outros. Esse é o
mérito da prática do Zen. E o caminho da prática é apenas con-
centrar-se na respiração. Com postura correta e com grande e
puro esforço. E assim que praticamos o Zen.

Trecho do livro Mente Zen, Mente de Principiante - Mestre Shunryu Suzuki;

ed. Palas Athena



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Mestre Dogen



 Setembro, é o mês que lembramos o falecimento e homenageamos os ensinamentos do mestre Dogen, fundador da escola soto do zen. Ele viveu entre 1200 e 1253.
Entre outros, o mestre Dogen nos deixou ensinamentos como: 

  •  “Finalmente, é inútil tentar conduzir outras pessoas e a mim mesmo meramente através do estudo intelectual de kôans e biografias de mestres.” 
  •  “É verdade, podes ter um apanhado conceptual e intelectual de uma passagem do kôan, mas é por isto que estás longe do Caminho dos buddhas e ancestrais. Faze apenas o zazen ereto, dia e noite, livre da expectativa de obter a iluminação através disto, e imediatamente te identificarás com o Caminho dos buddhas e ancestrais.”
  • “Praticantes Zen não devem seguir cegamente o que os mestres disserem, mas ter uma visão crítica. A dúvida pode ser um pecado, mas também está errado não questionar o que deve ser questionado.” Isto significa que a verdade buddhista é só a verdade, não as palavras de antigos mestres sobre o assunto. 
  • "Estudar o caminho é estudar a si mesmo
    Estudar a si mesmo é esquecer a si mesmo
    Esquecer a si mesmo é se iluminar por todas as coisas
    Estar iluminado por todas as coisas é a remoção das barreiras entre si mesmo e os outros"

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Mente de Principiante


"Há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito."
As pessoas dizem que é difícil praticar Zen, mas há um mal-entendido quanto ao "porquê". Não é difícil porque seja árduo sentar-se de pernas cruzadas ou atingir a iluminação. É difícil porque é árduo manter a mente pura ou a prática pura em seu sentido fundamental. A escola Zen desenvolveu-se de muitas maneiras depois de estabelecida na China mas, ao mesmo tempo, tornou-se cada vez mais impura. Contudo, não é sobre o Zen chinês ou sobre a história do Zen que eu quero falar. O que me interessa é ajudar você a manter sua prática livre da impureza. No Japão, dispomos do termo shoshin, que significa "mente de principiante". O objetivo da prática é conservar nossa "mente de principiante". Suponhamos que você recite o Prajna Paramita Sutra uma só vez. Poderia ser uma boa recitação. Mas o que lhe acontecerá se o recitar duas, três, quatro ou mais vezes? Você poderia facilmente perder sua atitude original em relação a ele. O mesmo acontecerá com suas outras práticas Zen. Por algum tempo você manterá sua mente de principiante, porém, se continuar a prática um, dois, três anos ou mais, embora você possa melhorar em alguns aspectos, é possível que perca o sentido ilimitado da "mente original".

Para os estudantes do Zen, o mais importante é não serem dualistas. Nossa "mente original" inclui em si todas as coisas. Ela é sempre rica e autossuficiente. Você não deve perder esse estado mental auto-suficiente. Isto não significa uma mente fechada e sim, na verdade, uma mente vazia e alerta. Se sua mente está vazia, está pronta para qualquer coisa; ela está aberta a tudo. Há muitas possibilidades na mente do principiante, mas poucas na do perito. Se você discrimina demais, você se limita. Se é exigente ou ambicioso em excesso, sua mente não é rica nem autossuficiente. Se nossa mente perder sua auto-suficiência original, todos os preceitos se perderão. Quando sua mente se torna exigente, quando você anseia por algo, você acaba por violar os preceitos: não mentir, não roubar, não matar, não ser imoral e assim por diante. Se você conservar sua mente original, os preceitos se manterão por si próprios. Na mente do principiante não há pensamentos do tipo "eu alcancei algo". Todos os pensamentos egocentrados limitam a vastidão da mente. Quando não alimentamos pensamento nenhum de conquista, nem pensamentos egocentrados, somos verdadeiros principiantes e podemos então aprender alguma coisa de fato. A mente do principiante é mente de compaixão. Quando nossa mente é compassiva, torna-se ilimitada. O mestre Dogen, fundador da nossa escola, sempre enfatizou a importância de preservar nossa mente original ilimitada. Com ela somos verdadeiros conosco, estamos em comunhão com todos os seres e podemos, de fato, praticar. Assim, a coisa mais importante é manter sua "mente de principiante". Não há necessidade de ter uma profunda compreensão do Zen. Mesmo que você leia muita literatura Zen, deve ler cada frase com uma mente virgem. Nunca deve dizer: "Eu sei o que é Zen" ou "eu atingi a iluminação". O real segredo das artes também é esse: ser sempre um principiante. Seja muito cuidadoso nesta questão. Se começar a praticar zazen, você começará a valorizar sua mente de principiante. Este é o segredo da prática do Zen

Trecho do livro Mente Zen, Mente de Principiante - mestre Shunryu Suzuki

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Deixar Cair Corpo E Mente

“Se praticantes Zen tiverem, em primeiro lugar, a prudência de controlarem suas mentes, tanto mais fácil ser-lhes-á deixar a si mesmos, e ao mundo renunciar. Mas isto não é nada fácil. Monges há, que por exemplo, cientes da reputação pública não farão coisas ruins, dizendo: “Como isto está errado, é possível que outros nos julguem mal.” Procuram então fazer o bem ao serem observados, crendo piamente que todos os demais lhes admirarão muito com isto. Contudo, estas são meramente opiniões comuns e mundanas. Existe, contudo, o outro lado da moeda, como aqueles que se comportam como bem entendem, e estes são vilões de verdade! O fato é que monges devem praticar o buddhismo pelo buddhismo, esquecidos de seus corpos de apego e impermanentes. Devem lidar com as situações de acordo com o momento. Principiantes no Caminho devem abster-se de fazer o mal e fazer o bem, quer seja por vontade própria ou por moralidade. A isto se chama deixar cair corpo e mente.”

 Trecho do livro Shobogenzo Zuimonki de Eihei Dogen Zenji 

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Sobre a Felicidade Pessoal

"Buda ensinou que até mesmo a felicidade pessoal é dukka - uma palavra da língua páli que significa "sofrimento" ou "insatisfação". Ela é inseparável do seu oposto. Significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa.
Isso não significa uma negatividade. É simplesmente reconhecer a natureza das coisas, para não viver atrás de uma ilusão pelo resto da vida. Nem quer dizer que você não deva mais apreciar os objetos e as circunstâncias agradáveis e bonitas. Porém, usá-los para procurar aquilo que não podem dar - uma identidade, um sentido de permanência e satisfação - é uma receita para a frustração e o sofrimento."

trecho extraído do livro " O Poder do Agora", de Eckhart Tolle, pela editora Sextante